da Nação._
+SONETO XI.+
Cantor, que a fronte erguia engrinaldada
Comvosco, Idálias crôas:
myrto, e rósas,
Que vio por mão das Tágides formósas
De aljôfares
a Lyra, e de oiro ornada;
Mente, de ethéreos Dons abrilhantada,
Que, sôlta em producções
louçãas, pompósas,
Surgio, voou com azas luminósas
Ante o Bando
que vai de rôjo ao Nada;
Estro, opulento do Febêo Thesoiro,
(Já dos épicos Sons talvez no
ensaio)
Ouvio sahir das trévas triste agoiro.
Seu Fado o fulminou, bateo-lhe o raio
Á Sombra tua... ai dor! Lá
mesmo, ó Loiro:
Chorai-o, Amores, Tágides, chorai-o.
De Author anónymo; porém que he facil conhecer pelo estilo.
_Votos pelo restabelescimento da saude de Bocage._
+SONETO XII.+
Não mais, Nynfas gentis do Téjo undoso,
Pungidas de alta dor,
vagueis insanas:
Croai-vos de floridas espadanas,
Ou de grinaldas
de coral ramoso.
Já não rechinão do arco sanguinoso
D'atroz Doença as séttas
inhumanas
Contra o Cysne que as ondas Tagitanas
Enfrêa com o
Carmen portentoso.
Serpes da Inveja, Serpes agoireiras,
Emmudecei, que a válida Saude
Assoma, entre Esperanças lisonjeiras.
Vem, bella Deosa, ao Vate Elmano acude,
Que eu grato forjarei
nestas Ribeiras
Hymnos, batidos na Thebana incude.
_Pelo Bacharel Domingos Maximiano Torres._
+SONETO XIII.+
Se as arduas Leis da sãa Filosofia
Sacra Egíde não são contra a
Desgraça,
Então em que desdiz a humana Raça
Das outras, que
Razão não alumia?
Seus venenos distille a Tyrannia,
Raivoso o Fado em raios se desfaça:
Alma, que o lume da Razão repassa,
Sórve tranquilla o néctar
d'Alegria.
Quando a Ventura ao pensamento acóde,
E não próva revezes o
Desejo,
Embates d'Afflição qualquer sacóde.
Aos males na constancia ser sobejo
A poucos dado foi; Elmano o
póde:
Dá, que hum novo troféo gloríe o Téjo.
_Moniz._
_Ao Senhor Manoel Maria de Barbosa du Bocage, em resposta ao
Soneto pag. 6., pelos mesmos coasoantes._
+SONETO XIV.+
Em teu Genio s'inflamma fogo intenso,
Brilhante emanação d'um
Deos, d'um Ente,
Que as Estrellas, a Lua, o Sol ridente
N'um dia fez
surgir do Cháos denso:
Teu extasis t'eleva a Espaço immenso,
Sentes impulsos, que o Mortal
não sente;
Eis lúcido clarão te abraza a mente,
E o Ser encaras, por
quem vivo, e penso.
Pasmado, absôrto no fulgor Divino,
Repassado de atónito desmaio,
Ant'o Solio do Eterno t'imagino:
Acordas, e do Canto em novo ensaio
Dos Athêos aviltando o desatino,
Louvas hum Deos, e tremes do seu raio.
_Por J. A. Soares._
_Ao senhor João Pedro Maneschi, por occasião do incendio em que
perdeo todos os seus bens._
+SONETO XV.+
Nos puros Lares teus assoma, irado,
Vulcano em ondas de indomavel
chamma;
Impetuoso cresce, horrivel brama:
Parece accezo pela
mão do Fado!
Em ferventes vorágens desmandado,
Tudo afêa, ennegrece, abraza,
inflamma,
E em cinza inutil, súbito, derrama
Teus merecidos bens,
Manéschi honrado.
Mas tu dessa fatal, visivel Péste,
Dessa, do Inferno imagem devorante,
O damno, estrago, horror baldar pudéste.
Rico de huma Alma singular, constante,
Tens, tens tudo: Amizade,
que te préste,
Dó, que te chóre, e Musa, que te cante.
A composião deste Soneto he anterior á minha molestia, mas a
Gratidão me ordena pô-lo aqui.
_A huma Donzella de estremada Belleza, de rara Virtude, e morta na
flor dos annos._
+SONETO XVI.+
De Homens, e Numes suspirado Encanto,
Lilia, innocente como
virgem Rósa,
Lilia, mais branda, Lilia, mais formósa
Que a Nynfa
ethérea, de puníceo manto:
Eu, e os Amores (que perdêrão tanto)
Damos-te ás cinzas oblação
mimósa:
Curva goteje minha Dor saudósa
Na molle offrenda, que
requer meu pranto.
Em teu sagrado, perennal Retiro
Disponho, ao som de lânguidas
querélas,
A rosa, o cravo, a túlipa, o suspiro.
Medrai no chão de Amor, florinhas béllas...
Ah Lilia! Eu gózo o
Ceo!... Lilia! Eu respiro
Tua alma pura na fragrancia déllas!
Pedio-mo Pessôa, que virtuosamente a amava; e a mágoa do assumpto,
apurada na tristeza da minha situação, deo hum Soneto, que talvez
penhore os corações ternos.
_Na gravissima enfermidade do Senhor Manoel Maria de Barbosa du
Bocage._
+SONETO XVII.+
Elmano! Elmano! Os que te ouvírão rindo,
Penhas, e Montes, que teu
Metro alçava,
Clamar faz hoje a Dôr, que em pranto os lava,
E,
mais que todos, o Permesso, e Pindo.
Bosques, Paizagens, que teu verso lindo
Em dobro enriquecêo, teu
mal aggrava:
Chorão-te Graças, Nynfas, que elle honrava,
O niveo
rosto com as mãos cobrindo.
Inda, Cysne do Téjo, inda teu Canto,
Bem que rouco, s'escuta; e em
desconsolo
Já das Musas te chora o Côro santo.
Quando não ergas o mellífluo collo,
Quem restará chorar-te? Hum
Deos em pranto
Se ha de então vêr, chorando o mesmo Apollo.
_Por Thomaz Antonio dos Santos, e Silva._
_Em resposta ao antecedente: Elmano a Tomino._
+SONETO XVIII.+
Vapor doirando, que me afuma os Lares,
(Porque a Morte os bafeja
de contino)
Sôlto de ti relampago divino,
[25] Milton de Lysia,
alumiou meus ares.
O bem d'ouvir-te, o bem de me chorares
Quasi que irmana desigual
Destino:
«Tu de assombros Cantor, (Fébo, ou Tomino)
«Eu Ave, eu
órgão de pavor, de azares.»
Níveo matiz d'auriferas arêas [26],
Cysne qual Jove outr'ora [27], e
que no alado
Extasi aos Céos a melodia altêas!
Vóz, de que adóro o cântico sagrado,
Vóz, que a dor minha, o Fado
meu prantêas!
Dá-me teus sons, e cantarei meu Fado. [28]
[25] Pelo estro, e pela cegueira.
[26] As do

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