nos aceiros?E as cobras apparecem na giesta?Quando as gralhas alagam os olmeiros.
Triste como o silencio da floresta,?Oi?o dentro de mim uivos d'horror.?Combatem dois le?es--_Ciume e Amor!_
*O c?o de bordo*
A cerra??o �� densa. O pobre hiate?Sem leme desarv��ra na refrega;?Penetra na escotilha a onda c��ga,?Alquebra-se o baixel no duro embate.
A trovoada estala, a pr?a abate;?No escaler a maruja ao ceu se ap��ga,?Este a vida infeliz surdo lhe nega,?Que as lagrimas n?o bastam p'ra resgate!...
Um c?o hirsuto, magro, avermelhado,?Com os olhos chorosos, flamejantes,?Que brilham como negros diamantes
Late com desespero, busca a nado,?Mergulha entre os cadaveres boiantes,?O dono encontra, e morre extenuado.
*No harem*
No matiz do tapete auri-felpudo?Hayd�� reclina as f��rmas langorosas,?Scismam d'inveja purpurina as rosas?Admirando-lhe as faces de velludo.
Modelo, que convida a obsceno estudo?N'um desmaio entre gazes vaporosas?P'las cassoulas de prata sumptuosas?O ambar, o beijoim arde a miudo.
Quando rompe nos ceus a madrugada?Sentem-se beijos em lascivo espasmo?Que illuminam a alc?va perfumada
E um eunucho--decrepito sarcasmo!--?Que a barbac? vigia na esplanada,?Cr��-se na terra um mero pleonasmo.
*Esculptura*
Que bella estatua! Collo d'alabastro,?Um riso de crystal, faces ardentes,?Um adre?o de perolas os dentes?E os olhos chispam o fulgor d'um astro!
De maus intentos o porvir alastro?Porque passando desdenhosa sentes,?Que intimidas com lividas correntes?Quem doido beija o sulco do teu rastro.
Paradoxo cruel! treva d'arminho,?Idolo deslumbrante, ruim crean?a?Que da ternura forjas sevo espinho!
Quando te vejo occorre-me a lembran?a,?Fl?r de gelo, sinistro rosmaninho,?D'enforcar-me a sorrir na tua tran?a.
*Cavatina*
(Palavras ditas entre bastidores a uma corista)
Tenho ideias com-_fusas_ e geladas?Sobre a _escala_ do amor onde resplende?_L��_ n'esse vivo _sol_, que mais se accende?_Rallentando_ as promessas calculadas.
A _gamma_ dos suspiros n?o attende,?�� de mau _tom_ possuir lindas manadas?D'amantes, que se _afinam_ nas ciladas?Das _pausas_, que o desejo n?o entende.
Algumas joias quiz com ar guapo?E a _compasso_ dos negros agiotas?Outras requer n'um prodigo--_d�� capo_.
Morre-se--diz o _adagio_--d'alegria?Portanto se eu pagasse em boas _notas_?Expiravamos ambos d' ... _harmonia_.
*No theatro anatomico*
Sobre a meza de marmore luxuosa?Descan?a scintillante formosura?D'uma crean?a esbelta, uma pintura,?Que parece dormir silenciosa.
As alvas r?mas, que a virtude esp��sa?S?o como alegre ninho de candura;?T?o fresca, t?o sentida e melindrosa,?Causa pena entregal-a �� sepultura.
Os estudantes em prodiga algarvia?Retalhando o cadaver delicado?Jogam chufas de sordida alegria.
Mais tarde o esqueleto dissecado?Assiste ��s prelec??es d'anatomia?�� escuta com ar petrificado.
*Epitaphio*
Meu cora??o aqui jaz, erma ruina?Onde habita a ironia, o vil phantasma?Golph?o anachoreta entre o miasma?Perseguido p'la brisa crystallina.
O lyrio, o trevo ri junto �� bonina,?S�� de raiva a minha alma abdica, pasma?Porque a tristeza famulenta traz-m'a?Nas duras garras d'ave de rapina.
Meu cora??o aqui, sob esta alfombra?Dos pallidos desdens, justos ciumes?Adora morto e frio a tua sombra.
At�� que emfim--oh ceus!--os meus queixumes?Te despertam o choro, que me assombra?Envolvendo o cadaver em perfumes!
*Aquarella*
Accorda a sombra tacita do lago,?Do rouxinol a candida volata;?A lua em chispas tremulas de prata?Imprime ao lesto amor um tom presago.
O vento raro e brando com afago?O tredo esquife languido arrebata?E o transporta subtil, como um pirata,?Dando azas ao terror ignoto, vago.
Suspira na floresta a morna aragem,?As 'strellas trocam beijos delirantes,?Que mais excitam castell? e pagem,
Eis brilha uma coira?a junto �� margem?E a frecha sibilando alguns instantes?Acaba n'um s�� golpe os dois amantes.
*Testamento*
Lego uma tran?a do cabello d'ella?Para atar um cavallo �� mangedoura?E as cartas da flacida impostora?Para embrulhar assucar e canella.
Ao credulo rival, deixo, leitora,?A licen?a de entrar pela janella;?Outrosim deixo as ligas e a fivela?Que cingiram a perna encantadora:
Os beijos que me deu ficam comigo?E a memoria das noites palpitantes?Hade caber tambem no meu jazigo.
O seu retracto ir�� ao lupanar?P'ra assistir �� luxuria das bacchantes?J�� que a dona n?o vae em seu logar.
*Barcarola*
?Corre, v?a, borboleta, vae graciosa?Libar ondas de nectar delirante?A an��mona cingir, o lyrio, a rosa?Com a aza fugitiva, coruscante.
?Vae soffrega d'amor e s�� ditosa.?D��-se no ceu um caso semelhante?Quando estrellas em noite vaporosa?Se abysmam n'uma queda extravagante.
?Vae mariposa, a chamma te fascina?Na aresta do ludibrio, como esphinge?Em deserto d'areia crystallina.?
Callam-se as vozes; picam-se as amarras;?A gondola deslisa e o mar attinge?Ao som dos bandolins e das guitarras.
*Bric-��-brac*
O dono miseravel da locanda?O _brocanteur_ terrivel, sanguinario?Agonisa n'um catre solitario?D'uma alcova minuscula, execranda.
Affinca as m?os convulso n'um rosario,?Ao ceu a vida, supplice, demanda,?N'uma imagem de Christo veneranda?Crava os olhos de abutre, de corsario.
Pois apesar das lagrimas-remorsos?Das victimas do seu medonho trama?Ruins phantasmas de lividos escor?os.
Nos paroxismos vende, al��m da cama,?O Christo a um judeu, e em vis esfor?os?A alma entrega a Satan, que lh'a reclama.
*Paysagem*
O sol adormecera no horisonte;?As nuvens em retalhos somnolentos,?Parecem nos bisarros tons cinzentos?O grupo despenhado de Phaetonte.
O riacho deslisa ao p�� do monte?Em frequentes e turgidos lamentos;?A philomela ensina o canto aos ventos?No chor?o, que murmura junto �� fonte.
A varzea rescende �� larangeira!?Da cathedral nas frestas em ogiva?Um rancho d'andorinhas s'enfileira;
E nas trevas solu?a a sombra esquiva?Do coveiro, que planta uma roseira?Onde jaz a venal filha adoptiva.
*Vae victis*
(_Struggle for life_)
Rasga sacrilego a amplid?o celeste?Um milhafre com azas pardacentas?E a cotovia harmoniosa investe?Armando as garras torpes e cruentas.
Negro como o lethargo do cypreste,?Rosna o vento nas fran?as

Continue reading on your phone by scaning this QR Code
Tip: The current page has been bookmarked automatically. If you wish to continue reading later, just open the
Dertz Homepage, and click on the 'continue reading' link at the bottom of the page.